Caetano Veloso – Sampa

Aunque a simple vista no lo parezca, Caetano Veloso y yo tenemos muchas cosas en común. Como yo, Caetano nació en una ciudad pequeña, y periférica, en su caso Santo Amaro en Bahía, en el mío Puebla del Caramiñal, en Galicia. Los dos nos mudamos después a ciudades con encanto, él a Río de Janeiro y yo a Lisboa. Y como tercer destino, ambos escogimos una ciudad (aparentemente) gris y segundona, pero (en realidad) llena de encanto y personalidad: Madrid en mi caso, São Paulo en el suyo.  Para homenajear a su ciudad gris, Caetano compuso “Sampa”, cuya letra describe con cariño ese paisaje de cemento donde el dinero “construye y destruye cosas bonitas”, donde “el humo no deja ver las estrellas” y donde el recién llegado encuentra todo “difícil” y de “mal gusto”, pero porque “a Narciso le parece feo todo lo que no es espejo”. No sé lo que pensaréis vosotros, pero para mi si en lugar de “Sampa” la canción se llamase “Madrid”, su letra seguiría teniendo todo el sentido del mundo. Espero que os guste.

 

 

Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas

Ainda não havia para mim, Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João

Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos Mutantes

E foste um difícil começo
Afasta o que não conheço
E quem vem de outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva

Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo quilombo de Zumbi
E os Novos Baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa

 

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3 Responses to Caetano Veloso – Sampa

  1. Guzmán says:

    Lavapiés, ese túmulo de samba 🙂
    Se echan de menos las misas…

  2. Pingback: La floresta urbana | Atresillando – El blog del Sr. Tresillo

  3. Pingback: Por qué Rita | Atresillando – El blog del Sr. Tresillo

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